Sunday, July 06, 2008

Baile Átha Cliath

Domingo nunca é um dia verdadeiramente inspirado para mim, acho sempre os domingos demasiado deprimentes. Mas como tenho que escrever sobre a última viagem antes que me esqueça, cá vai. A ver se sai algo com cabeça, tronco e membros. Cabeça, tronco e membros? É estúpido, como é que um texto tem cabeça, tronco e membros? Ainda compreendo a cabeça (título) e o tronco (corpo do texto). Mas membros? Espera, podem ser as notas de rodapé e legendas...pode ser...mas então este texto vai ser deixado desmembrado.
Dublin. Foi a última viagem que fiz. Poderia dizer que foi uma desilusão. Mas não vou fazer isso. Não vou fazer isso porque já parti para lá com expectativas demasiado baixas logo, não houve desilusão. Tenho amigos irlandeses, ou amigos que lá viveram, que sempre me disseram que Dublin é uma cidade que se vê em dois dias (ou em um dia, consoante a pessoa). É relativamente pequena, e os marcos históricos não são nada por aí além. Por aí além? É outra daquelas expressões que não faço ideia o que significa ou donde vem. Ou para onde vai. Mas com o novo acordo ortográfico, provavelmente vai mesmo ser apagada do dicionário.
Dadas estas premissas, e dado qua já quase não há dias de férias para gozar, decidimos apanhar o primeiro vôo no Sábado de manhã, e voltar no Domingo à noite (à hora da final do Euro...coños!).
Para apanharmos o vôo das 6h da manhã em Heathrow, lá tivemos que passar a noite (quase) em branco para apanhar um táxi por volta das 3h30 e estar em Paddington às 4h e pouco, para apanhar o primeiro comboio para o aeroporto às 4h40. A estação estava completamente vazia, nem comboios, porque chegámos demasiado cedo. Mas havia já algumas pessoas: ou que iam para o aeroporto, ou que tinham acabado de chegar dos bares. Destas, havia duas raparigas, completamente inconscientes a dormir na fila de bancos à nossa frente. Deviam ter chegado à estação podres de bêbedas (é um tema que será desenvolvido adiante), provavelmente perderam o último comboio e acabaram por adormecer por lá mesmo. Completamente dobradas sobre si próprias, com as cabeças entre as pernas, estilo contorcionistas do circo, com as malas largadas num banco ao lado ou no chão. Se naquele dia chegaram a casa ilesas, tiveram muita sorte...às tantas uma lá acordou e tentou acordar a outra. Só depois de uns quantos pontapés e chapadas é que a outra acordou. De nada serviu. Esteve uns 10mins a tentar focar a visão para tentar ler o que diziam os placards, mas às tantas desistiu e voltou à posição inicial.
As etapas seguintes até sairmos do aeroporto em Dublin foram as do costume com uma excepção. Tivemos que passar dois controles de passaportes ainda em Londres. Ainda estou para perceber porquê. Mas à vinda não tivemos que passar por nenhum. Saí do avião directo para a saída do aeroporto.
Chegámos a Dublin cedinho. Esperava-nos o tempo tipicamente irlandês. Chuva torrencial. E como é Verão e por príncipio, nesta altura, só uso roupa de Verão, levei apenas um par de calções e nenhumas calças...
Mas depois vim a descobrir que é intermitente. Só chove de meia em meia-hora...
Do aeroporto à cidade é rápido, são uns 20/3o mins de autocarro. Comprámos um passe de 3 dias que nos permitia andar em qualquer autocarro, inclusivamente nos das tours.
O centro da cidade é relativamente pequeno e vai-se a todo o lado a pé, inclusivamente à margem sul. A cidade é dividida em duas, pelo Rio Liffey, mas todas as pontes têm travessia pedestre, dado que o rio não é muito largo.
Primeiro tomámos o pequeno almoço no centro, para termos logo o choque da exorbitância dos preços. Apesar de em Euros, era tudo mais caro que o equivalente em Libras, em Londres. Especialmente na alimentação. Uma refeição normal deve andar à volta dos 15/20 euros.
Depois disso, fomos directos aos autocarros turísticos para fazer a tour. Uma hora e meia demora a tour. E passa em tudo o que é relevante. Decidimos que o primeiro sítio onde queríamos parar na tour era a fábrica da Guinness. Foi o que fizemos. São 7 andares onde mostram todo o processo do fabrico da cerveja, e no topo tem um bar panorâmico onde se tem uma vista de 360º sobre Dublin. Ah, e oferecem uma pint de Guinness. O que não me entusiasmou muito, mas provei a da Vera. Alcóol ou não, ainda só eram 11h da manhã, e a essa hora nem coca-cola...E seja como fôr, a Guinness é demasiado amarga....
Depois disso voltámos no autocarro para o centro para o resto da tour. Pasámos pelos museus de História Natural, Arte Moderna, Museu Nacional, fábrica da Jameson (como vêem o tema da bebedeira está sempre presente), Phoenix Park (o maior parque público da Europa e onde é a residência oficial do Presidente), St. Stephens Green, Biblioteca Nacional, Grafton St. e a restante zona comercial, entre outras paragens que decidimos visitar em mais detalhe mais tarde.
Chegou a hora de almoço e, depois de irmos almoçar a um restaurante italiano cheio de polacos (outra característica de Dublin, polacos, não sei porquê mas estão por todo o lado), fomos até ao hotel, que era ali no centro, até porque Dublin não tem muito mais do que isso, e lá descansámos um pouco, para depois irmos até Temple Bar, que é a zona dos bares, estilo Bairro Alto dos irlandeses.
Antes de chegarmos a Temple Bar, pelo caminho, parámos em Trinity College que é a maior e mais antiga universidade irlandesa. Pudemos entrar e visitar o campus e os jardins.
Em Temple Bar foi onde que me comecei a aperceber do porquê da reputação dos irlandeses de beberem muito. Quando fomos almoçar, os bares já estavam cheios. A esta hora, já se notavam os efeitos. Já estavam cá fora a vomitar-se todos...e ainda pouco tempo passava do almoço.
Outra coisa que me impressionou muito foi a quantidade de mendigos. Muito mendigo na rua, deitados por todo o lado ou podres de bêbedos a cambalear. Difícil encontrar um multibanco onde não esteja um mendigo a pedir...mas não é nada que não exista em Arroios.
Depois de uma volta por Temple Bar andámos a pé pelo centro. Dirigimo-nos ao Castelo de Dublin, tendo passado antes pela Câmara Municipal. Uma característica dos monumentos de Dublin é que a fachada de quase todos é de estilo arquitectónico clássico, com um frontão triangular e colunas, por isso não se admirem se as fotos parecerem todas iguais. A Câmara é um bom exemplo disso. O Castelo não é o normal castelo medieval, é mais um conjunto de edíficios de diversas épocas diferentes que nem parece uma fortaleza. Nesse dia, ainda conseguimos passar por Grafton Street que é uma das zonas mais comerciais, onde está a maior parte das lojas, ao estilo de Oxford Street. Também é aqui que está a estátua da Molly Malone, um dos ícones de Dublin, de quem se diz que seria peixeira de dia e prostituta de noite...ou seria ao contrário?
Ainda caminhámos até St. Patrick's Cathedral ao final da tarde, não conseguimos entrar porque já estava fechada, e para variar a foto ficou estragada pelos malditos andaimes que insistem em estar nos mais famosos monumentos dos sítios que visito.
Este dia foi longo. Ainda fomos ao hotel e só depois saímos para ir a Temple Bar jantar e dar uma voltinha à noite. Havia muitos artistas de rua, muita gente (sóbria) e muitas despedidas de solteiro, que aparentemente é moda para os Ingleses lá irem em grupos fazer.
Uma curiosidade - um pouco por toda a cidade havia grafittis e tags com "No To Lisbon", pois pouco tempo antes tinha sido o referendo acerca do Tratado de Lisboa, e pelos vistos a campanha pelo "Não" foi mais aguerrida.
No Domingo, segundo e último dia, acordámos cedo para ir visitar os outros marcos que nos faltava ver.
A primeira coisa depois do pequeno-almoço foi irmos para a prisão de Kilmainham Gaol. É um dos locais com maior história da Irlanda pois era aqui que ficava a maioria dos presos políticos em especial os relacionados com as insurreições e era também onde se faziam as execuções. É também cenário de diversos filmes como o "Em Nome do Pai" e "Michael Collins". É impressionante não só pela arquitectura e história, mas principalmente pela atmosfera que é arrepiante se se pensa no que ali se passou.
Dado que a prisão é um pouco afastada do centro, voltámos de autocarro para a zona de Christ Church que é outra Catedral. O que também me surpreendeu foi o facto de ter que se pagar sempre para entrar nestas igrejas, algo que na minha opinião deveria ser de entrada livre.
Perto de Christ Church tem uma zona dedicada às invasões vikings, que quando invadiram Dublin a "baptizaram" de Dvblinia! Ora, não sei que raio de Vikings invadiram a Irlanda, mas com nomes destes deviam ser larilas.
Ainda era cedo, mas como pouco faltava para ver decidimos ir dar um passeio pelas margens do Liffey para depois irmos almoçar numa esplanada nos 20mins de Sol que houve o fim-de-semana todo. Depois mantivemo-nos no centro para irmos tratar das compras das recordações para a família e amigos e passearmos pela avenida principal, que também tem a sede dos Correios, mais um edíficio de arquitectura clássica. E foi assim até ao final da tarde. Dali mesmo sai um autocarro que demora 20/30 mins até ao aeroporto.
Quando lá chegámos descobrimos que o avião estava atrasado. Acabámos por ver a Final do Euro num bar do aeroporto (coños!) e só depois do apito final e da entrega da taça é que embarcámos.

De seguida, foi só esperar mais umas semanitas para ir a Portugal fazer férias a sério, mas mais sobre isso depois!

Sunday, May 11, 2008

Cans Festival

O fim-de-semana passado fomos a uma exposição de graffiti. Não é uma coisa que faça muito o meu género, mas esta era especial.
Um grupo de artistas liderados pelo Banksy decidiu ocupar um túnel abandonado perto de Waterloo e transformá-lo numa exposição de arte, devidamente autorizada, mas tudo no maior dos segredos. Essencialmente a exposição era de graffiti com stencil, mas também havia algumas esculturas. Nas vésperas da exposição abrir publicitaram-na de boca em boca e na web, e abriram por 3 dias no fim-de-semana prolongado. A entrada era grátis e quem quer que fosse que quisesse participar inscrevia-se e pintava. No dia em que fomos havia tanta gente que de x em x tempo tinham que fechar as entradas para escoar as pessoas.
Para quem nunca ouviu falar em Banksy (eu não fazia ideia quem ele era até há bem pouco tempo), é um graffiter de Bristol que, supostamente ninguém sabe quem é, e que trabalha com stencil um pouco por toda a Londres e outras cidades inglesas. No entanto já se tornou tão conhecido que já tem graffitis em NY, Telavive e outras cidades do mundo. A grande curiosidade nisto é que, apesar de na maior parte dos casos o graffiti ser considerado crime, as obras dele já atingiram uma procura tal que estão a ser leiloadas na Sothebys e na Bonhams na ordem das centenas de milhar de libras. Graffitis dele que aparecem em edifícios em Londres são protegidos pelo município e leiloados pelos donos das propriedades pintadas.
Mas vejam a wikipedia que explica melhor que eu: http://en.wikipedia.org/wiki/Banksy

Resumindo e concluindo, como não pude pôr todas as fotos da exposição aqui, decidi criar um albúm no Picasa. Fica aqui o link:
http://picasaweb.google.com/joao.macara/CansFestival?authkey=OU9hm58LEGQ

Stop and Search

Este vai ser relativamente curtinho. O Post.
Pela primeira vez fui identificado pela Polícia. Que me lembre nunca me tinha acontecido. Ok, não é nada de extraordinário, mas o que tem piada é que foi ao abrigo do Acto Anti-Terrorista! Porque eu poderia levar uma bomba na mochila depois de ter vindo do jogo da bola...
Aconteceu no Sábado de manhã. Fui jogar futebol com um colega a Putney Bridge, que é uma zona super-bem ali encostado a Chelsea, de tal forma super-bem que a única oficina que ali há é um especialista em Porsches. Jogámos das 10h ao 12h num parque ali perto e depois voltámos a pé para a estação de Metro. Vínhamos ainda equipados e com as mochilas. Estavam dois polícias (depois reparámos que havia mais dois a revistar outras pessoas) que estavam a fazer revistas aleatórias aos transeuntes que passavam. Mandaram-nos parar, disseram-nos que não tínhamos feito nada de mal, mas que precisavam de nos revistar as malas ao abrigo da Secção 44 do Acto Anti-Terrorista. Eu disse tudo bem, mas estamos a voltar agora do jogo, não temos mais nada connosco para além de equipamento desportivo. Mas este polícia não devia ter feito muitas vezes este exercício, porque a maior parte das coisas não as sabia fazer. Perguntou-me se eu tinha alguma coisa comigo que não devesse ter, eu ri-me e disse que eu tivesse conhecimento, não. Abri a mala, mostrei as camisolas e os ténis e ele viu que estava tudo ok. Depois disse-me que íamos demorar mais 5mins a preencher o formulário. Pediu-me o BI, apontou os dados. Pediu morada e data de nascimento. Depois disse-me que eu tinha que lhe dizer a raça, mas que para isso teria que me mostrar uma tabela com as raças para eu escolher, mas ele não sabia o que era... Lá foi perguntar ao colega e depois mostrou-me as opções, das quais escolhi "Branco de outra ascendência que não Britânica ou Irlandessa"... Olhou-me de alto abaixo, apontou o que eu tinha vestido, e perguntou-me se eu queria uma cópia do formulário. Eu disse que queria, só que ele não sabia o que tinha que me dar...
Entretanto o meu colega já estava despachado e o polícia perguntou-lhe qual das cópias o colega dele lhe tinha dado, branco ou azul?
Depois de muito lutar para destacar o papel pelo picotado, lá me deu a cópia branca.
Eu e o meu colega ficámos surpreendidos por termos sido mandados parar, naquele sítio àquela hora. A mim parece-me que o gajo era sportiguista e foi só por isso que me mandou parar. Fica aqui uma cópia do que ele escreveu na descrição da roupa que eu tinha vestida:

Tuesday, April 01, 2008

Aux Les Champs Elysées

Muito me tenho descuidado eu com este blog...antes de mais quero dizer que já tenho mais posts em atraso para além deste. Já estive por outras terras inglesas e ainda aqui não escrevi nada. Mas vai ter que ficar para mais tarde. Este tem que ser escrito enquanto ainda está fresco.
Depois de Nova Iorque, Paris!
Desde que inauguraram a nova estação de St. Pancras aqui ao lado de King's Cross, que achámos que devíamos ir de Eurostar até Paris num fim-de-semana. O facto de o comboio sair daqui e não de Waterloo como dantes só nos trouxe vantagens: encurta o tempo de viagem até Paris e encurta o tempo de viagem até à própria estação. No regresso, só para terem uma ideia da rapidez, demorámos 2h30 da Gare du Nord, em Paris, até à porta de casa, aqui em Londres.
Desta vez éramos quatro, os mesmo de Brighton. Saímos de casa Às 4h50 da manhã para apanhar o autocarro das 5h, que chegou pouco tempo depois. Estávamos em St. Pancras por volta das 5h30 da manhã. O check-in para o comboio deve ser feito até meia-hora antes da partida, que era às 6h30. É como ir para o Metro. Chega-se aos torniquetes e mete-se o bilhete. Só que depois há um controle rápido de passaportes e máquina de raio-x e detector de metais. Mas nisto não demorámos mais que 10mins. Apesar de a viagem em si ser mais demorada que de avião, o facto de ambas as estações serem nos centros das cidades, e o check-in e controle de segurança demorarem 10mins, acaba por compensar em relação ao avião.
Não sei como foi a viagem para Paris. Adormeci mal me sentei no comboio e acordei em Paris. Não dei por nada. Na vinda, vim a maior parte do tempo acordado. A viagem demora 2h15. De Londres a Dover são 30mins, a passagem do túnel da Mancha demora mais 30mins, e a restante 1h15 é de Calais a Paris. Nunca pára, e raramente abranda. E sinceramente, não senti a velocidade do comboio - é suave e sem grandes balanços.
Chegámos à Gare du Nord eram umas 10h da manhã de Paris. O nosso hotel era o Le Meridien Montparnasse, mesmo em frente à Gare de Montparnasse que fica na mesma linha da Gare du Norde, a cerca de 15/20 mins de Metro do hotel. Entre pequenos-almoços e check-ins no hotel, acabámos por sair para a Praça da Concórdia perto do 12h.
Antes de mais vou abrir aqui um parêntesis para fazer uma dissertação que deveria ter feito no post de NY.
A primeira coisa que fiz quando entrei no quarto de hotel foi ir ao WC. Não, não fui fazer nº1 nem nº2. Fui mesmo inspeccionar a sanita. Porquê?
Ora bem, eu não sabia disto, mas quando cheguei a NY e fui ao WC do hotel, encontrei a sanita cheia de água até quase às bordas...da sanita e não só. Pensei que estivesse entupida e a primeira reacção foi ir-me queixar à recepção. Mas antes puxei o autoclismo, só para ver o que acontecia. A água escoou toda para baixo, e voltou a encher....
Depois, a Vera disse-me que no aeroporto também era assim e vim a saber que é normal, por lá, a sanita estar cheia de água até cá acima.
Isto é estúpido! Ainda ninguém me conseguiu explicar porquê e eu também não consigo encontrar explicação, mas é incómodo! Como se não bastasse o comum salpico quando o nº2 é resultado dum belo caril da noite anterior, agora temos que ficar com a água ali a roçar as bordas? E depois não é só isso! Eu infelizmente não tive esse problema, mas há de haver aqueles pobres coitados que acabam por ficar com o zéquinha e sus muchachos quase submersos, não?
Alguém avise os americanos que isto não deve lá ser muito higiénico!
Felizmente, França, como país do 1º Mundo tal como Inglaterra e, vá, Portugal, não tem esse problema!
Pronto, quis só partilhar isto convosco.
Nesse dia choveu o dia quase todo, tal como no Domingo, mas não nos impediu de ir a lado nenhum.
Fomos primeiro para a Praça da Concórdia, ver o óbélix que lá está plantado, gamado do Egipto.
Daí subimos o jardim das Telheiras em direcção ao Louvre. Uma coisa que me desagradou em Paris - nenhum jardim ou caminho por parques está empredado. é tudo terra batida. O que, quando chove, se torna desagradável. Fica o apelo à prefeitura de Paris, para arranjar qualquer granitozinho para fazer isso.
Chegados ao Louvre, as filas eram razoáveis, mas não se perde muito tempo. E a entrada foram 9€, o que não me pareceu exagerado, apesar de em Londres a maior parte dos museus ser grátis.
Era um sítio onde eu queria passar algum tempo, depois de há 10 anos a minha mãe me ter por lá arrastado, e com as birras nem eu nem ela acabámos por ver nada de jeito.
Desta vez acabei por passar lá cerca de 1h30 que, para um museu que é suposto demorar 3 meses a ser visto, é pouco...mas fomos directos ao assunto e fomos ver a Mona Lisa e a Vénus de Milo, e as restantes obras dessa ala.
Do Louvre, descemos sempre em frente pelos Champs Elysées até ao Arco do Triunfo. A primeira metade dos Champs Elysées é, no fundo, a Avenida da Liberdade mas em grande. E em plano. A restante parte, até ao Arco, é essencialmente comercial, com muitas lojas de grandes marcas, mas já com demasiada confusão, ao estilo de Oxford St. No Arco, mais confusão, mas de carros. Caótico! Uns entram, outros saem, outros páram à entrada, outros no meio, outros à saída, uns controlam a rotunda, outros vão a direito, depois há uns peões burros que nem uma porta que, em vez de irem pelo túnel, amandam-se para a frente dos automóveis, enfim, uma alegria.
No Arco apanhámos o Metro para irmos para Notre Dame. O Metro. Gostei muito. Bem melhor que o de Londres e que o de Lisboa. Nem comparo com o de NY que achei horrível. O de Paris, anda certinho, a horas, nunca falha e vai a todo o lado. Em geral, as carruagens são recentes, e o facto de andar em pneus em vez de carris, torna-o confortável.
Saímos em Hotel de Ville que, ao que parece, significa câmara municipal. É um edifício portentoso, bem maior que a de Lisboa. Aí chovia tanto que acabámos por nos refugiar no Brioche Dorée...e mais não digo. Ficámos um bom bocado aí, onde o Edgar descobriu os maravilhosos Briochettes Au Chocolat, e só depois é que fomos para a Notre Dame, depois de atravessarmos o Sena. Atenção, atravessámos o Sena, não ultrapassámos o Senna, porque esse ninguém ultrapassa!
Chegados à Catedral, esperem, deixem-me emendar, Catedral é a Luz, a Notre Dame é uma reles catedral com letra pequena. Mas pronto, bonita, muito bonita, em especial porque naquele momento o céu abriu e o sol raiou sobre ela, e deu-nos uma bela fotografia de fim de tarde. Ainda conseguimos entrar e admirar os vitrais e as gárgulas, e depois voltámos ao Metro para ir até Montparnasse jantar ao HRC. Depois de ir a NY, Londres e ao de Lisboa, continuo a achar que os Hard Rock de Lisboa e NY são os mais bonitos. Este de Paris, tá giro, mas não é mais bonito que o nosso. Lá comprei a txértezinha da praxe para trazer de souvenir.
Eram ainda umas 21h quando decidimos ir para o hotel porque tinha sido um dia demasiado longo....
No dia seguinte, decidimos levantar-nos cedo (não tão cedo como o maluco que se tinha levantado às 7h para ir correr uns kms) e decidimos ir dar um passeio pelo Sena.
Antes parámos para o ponto alto do dia: o pequeno-almoço. Não porque havia croissants e brioches e café au lait, mas porque alguém que não vou nomear, mas cujo nome começa por "R" e acaba em "i" e tem um "u" no meio, enquanto comia os seus ovos pergunta: "Qual é que é a gema do ovo? A amarela ou a branca?". Claro que que orgia de riso que se seguiu nos alimentou o àsuficiente para o resto do dia. Depois de já andarmos pelas quai do Sena, às tantas, lá me convenceram que seria interessante um cruzeiro. E lá fui atrás, e meti-me num barquito daqueles que sobe e desce o Sena, passando pelas atracções turísticas. Teve piada, mas piada piada tinham as bordoadas da guia que, sendo francesa, falava tão mal Francês como Inglês e não acertava uma referência sobre os monumentos. Sabíamos mais nós que ela. Pena que como o rio estava muito alto da chuva, não deu para ir ver a Estátua da Liberdade, para comparar com a outra.
Depois do cruzeiro, seguimos o nosso passeio a pé até à Torre Eiffel, onde não tinha ido da primeira vez em Paris. Estavam umas filas jeitosas para os quatro pilares, e escolhemos a que era mais pequena, porque só dava para subir a pé...mas fomos, e fomos, e fomos, e fomos...mais de 700 degraus até ao segundo patamar. As fotos que tenho são do primeiro, porque achei que não se devia notar grande diferença. Pensávamos apanhar o elevador para subir até ao topo mesmo, mas ainda tinha que se pagar mais, então decidimos não ir. Fica para a próxima.
Saídos da Torre Eiffel subimos a alameda do Técnico, até ao Trocadéro para tirar as melhores fotos. Aí apanhámos o Metro para a Sacré Coeur. Foi a parte pior. A zona de Montmartre, ali ao redor de Sacré Coeur e até Pigalle é muito má frequentada, fez-me lembrar o Intendente. Mas com a subida até lá a coisa melhora. Tem provavelmente a melhor vista de Paris, mais que a própria Torre. Também entrámos, tal como na Notre Dame, mas não tirámos fotos.



Da igreja, não podíamos ter ido para outro sítio senão o Moulin Rouge! Descemos e fomos rua abaixo. Do piorio. Nunca vi tanta sex shop junta! Mas pronto, conseguimos ultrapassar todos os pervertidos e ir tirar a foto do moinho.
Daqui voltamos aos Champs Elysées para dar um passeio e ir jantar.
Nessa noite decidimos ir sair, mas não sem antes voltar à Torre para umas fotos nocturnas.
Do Técnico fomos até à Bastilha. Lá descobrimos umas ruazinhas muito concorridas, que me fizeram lembrar o Bairro Alto. No entanto, tínhamos uma dica para irmos à Rue Oberkampf. E deixámos a Bastilha para trás e fomos procurar. Mas não encontrámos...Andámos a rua toda e não encontrámos vida nocturna nenhuma....Acabámos por parar num café onde ficámos até tarde e depois ir para o hotel.
No último dia, depois do maluco ter ido correr mais uns kms, tentámos ir às catacumbas, mas estavam fechadas. Decidimos então seguir para o Musée D'Orsay, que tem essencialmente impressionismo. É essencialmente uma continuação do Louvre, num edíficio adaptado de uma gare, onde têm Manets, Rodins e outros que tais. Daqui fomos almoçar perto, mais uma vez do Hotel de Ville, e decidimos ir por fast food mesmo porque até aí as refeições não tinham custado menos de 20 Euros por pessoa.
Logo ali ao virar da esquina tem o centro Georges Pompidou, que queríamos també ir ver por dentro. Quer dizer, por dentro vê-se por fora, porque a ideia do edíficio é estar virado do avesso, mas ainda não tinha entrado lá, e continuo sem ter entrado, porque tinha umas filas jeitosas.
Por esta altura já chovia bem outra vez, mas como não havia mais nada para fazer fomos dar mais um passeio para o Sena. Quer dizer, havia sempre algo para fazer, quanto mais não fosse o nosso mais recente passatempo: contar Tugas em Paris. Até voltarmos, a contagem ia em cerca de 70, mas não topámos emigrantes, era mesmo tudo turistas.
Depois disto fomos ao hotel buscar as malas e seguimos mais uma vez para a Gare du Nord, para apanhar o Eurostar.

Esta fica por aqui, espero rapidamente postar Stonehenge, Bath e Salisbury.

Té já!

Monday, February 04, 2008

02 / 02 /2008 - LX

Este não será o post comum para relatar as aventuras, até porque não houve muitas aventuras neste fim-de-semana de aniversário que fui passar a Lisboa.
Primeiro quis aqui deixar o vídeo do salto de que falei no post anterior. Como era muito grande dividi-o em três pequenos. O primeiro tem o salto como foi feito, o segundo tem o mesmo em câmara lenta e o terceiro tem a aterragem.













Quanto ao fim-de-semana passou-se rápido, podia ter sido melhor aproveitado, mas graças aos amigos que estiveram presentes foi mais uma viagem que valeu a pena. E para eles é este post, em forma de singelo tributo para todos os que fizeram questão de lá estar. Para aqueles que estiveram no Bairro Alto na Sexta, que me obrigaram a beber o primeiro shot...e para os que pagaram as bebidas, para Ti que me deste mais uma prenda magnífica para além de ma dares todos os dias estando lá ao meu lado, para a menina que fez questão de lá ir entregar a t-shirt às 2h da madrugada, para aquele me acordou ao 12h e achou que não era hora para estar na cama, para os que estiveram no almoço de Sábado e me compraram o bolo e me obrigaram a trazer uma caixa de alheiras, para aqueles com quem consegui passar a tarde, para aqueles com quem joguei Guitar Hero, para as duas "Dras." que fizeram questão de peguntar sobre o meu número para me poderem fazer aquele telefonema, para aqueles que fizeram questão de estar presentes no jantar e acabaram por comer sushi pela primeira ou segunda vez na vida, para os que se perderam ao ir para minha casa e acabaram na Amadora, para os que cantaram os parabéns, para os que deram presentes sem haver necessidade e acertaram na mouche, para os que estiveram no Bairro Alto no Sábado mesmo depois de uma maratona no IKEA e de uma semana no Centro de Cuidados Continuados de Mafra (vou fingir que me esqueço do beijo), para os que deram os parabéns adiantados, para os que mesmo atrasados não deixaram de telefonar, enfim, isto já começa a parecer um anúncio da Coca-Cola, e antes que as lágrimas de xarope de caramelo com gás comecem a escorrer, fica aqui para vocês, melhores dos amigos, as fotos que houve tempo para tirar.


















Espero que o próximo post seja menos emotivo e mais animado a contar mais uma aventura no estrangeiro, que deve ser lá para o final de Março. Pelo meio há uns quantos concertos, vamos lá ver se arranjo tempo para os relatar.

Sunday, January 20, 2008

Jingle Balls...jingle all the way!

Desde a última vez que aqui vim escrever já muito se passou e, sinceramente, não me apetece escrever sobre tudo...devia ter sido mais atencioso convosco e menos desleixado e ter vindo cá mais regularmente.
Que se passou entretanto? Bem, entre os concertos do costume, entre os quais The Hives, Shai Hulud e a Black Crusade Tour (Shadows Fall, Arch Enemy, Dragonforce, Trivium e Machine Head) e Voodoo Glow Skulls, ainda consegui ir a Lisboa em Novembro num fim-de-semana, para depois voltar para fazer as compras de Natal, para ir até Lisboa de novo em Dezembro para passar duas semaninhas com a família e amigos.
Todos estão à espera que eu fale do grande acontecimento desta altura, mas já lá vamos.
A viagem desta vez, e como seria de esperar não correu assim tão bem.
Na véspera um amigo tinha-me desejado "Boa viagem...até ao avião!". Porquê até ao avião? Porque, normalmente, o que corre mal é todo o percurso até ao aeroporto. Pois, mas desta vez, foi ao contrário: correu tudo bem até entrarmos no avião. O nevoeiro obrigou-nos a ficar retidos, dentro do aparelho umas 2h. Chegámos a LX com 3h de atraso, o que me impediu de ir ao jantar de Natal dos ex-colegas, apesar de ainda ter conseguido lá ir ter para a troca de prendas, prenda que por acaso ainda deve andar lá pelo restaurante....
Mais uns diazitos e era Natal. Entretanto conseguimos estar com os amigos todos e com as famílias todas! Aqui fica a foto de La Famiglia!



Jantares e almoços de família e amigos foram coisas que não faltaram.
Chegou entretanto o famigerado dia da troca de prendas, porque afinal o Natal não é só estar com a família, também há que dar e receber aquilo em que se gastou dinheiro!
E apesar de ter dado muito, fui apanhado de surpresa pelo presente que a Vera me ofereceu. Então, à falta de bonequinhos dos Transformers ou de jogos para a Wii, decidiu dar-me ou antes mandar-me saltar de um avião...daí a 3 dias!
Bem...que é que eu podia fazer? Dia 28 às 8h da manhã, metemo-nos com os meus pais no carro, e fomos para o aeródromo de Évora para saltar...
Chegámos mais cedo que o combinado e deu para atestar as condições atmosféricas. Estava um dia lindo, apesar de ser final de Dezembro, sem nuvens mas um bocadinho frio.
Entretanto o instrutor chegou, e foi fazendo o briefing. Seria um salto tandem (sim, agarradinho a ele), a cerca de 7 mil pés, com 40 segs em queda livre e uns 6 mins de páraquedas aberto até ao chão. O salto não requer preparação nenhuma em especial. Vamos vestidos com a roupa normal para a época, vestem-nos um fato como o abaixo (ignorem as partes que têm cor-de-rosinha e azul-cueca), um capacete que faz a cabeça parecer um pepino, uns óculos de plástico por causa do vento e o arnés.
Há instruções básicas como, saltar com os braços cruzados e os calcanhares a tocarem no fundo da fuselagem do avião, para depois os abrir em 90º e contorcer o tronco de modo a que as pernas estejam quase a tocar-nos no rabo, quando iniciamos a queda.
Depois braços cruzados antes de abrir o páraquedas, e na aterragem pernas levantadas e esticadas para a frente.

Depois de tudo vestido e verificado, esperámos uns 10mins pelo aviãozinho que nos ia levar lá para cima, um bimotor que levava umas 10 pessoas que connosco iam saltar, todos prós, que iam saltar um a um. Não consigo precisar quanto tempo demorou até chegarmos aos 7 mil pés, mas diria que uns 10mins...o que mais me surpreendeu foi a descolagem, que é muito mais suave que um jacto comercial.
Chegada a altura de saltar, o portão traseiro abre-se e os que vão sozinhos saltam. Por esta altura, o instrutor já me tinha ligado a ele, e só precisei de me sentar na borda do avião com os pés de fora, e esperar que ele se mandasse. Connosco ia um operador de câmara que gravou o vídeo de tudo. Como ele ia a falar comigo e a chamar a minha atenção, nem dei por nos lançarmos. Quando dei por mim já ia a cair.
A primeira sensação é de muito, muito frio!! Especialmente no final de Dezembro!
A segunda sensação é de falta de ar, julgo que é por isso que temos que ir de cabeça levantada a olhar para o horizonte e não a olhar para baixo. Mas mesmo quando se olha para baixo,vnão se tem a sensação de ir a cair, só a planar mesmo. A sensação de falta de ar é como se fôssemos de automóvel na auto-estrada e abríssemos a janela e puséssemos a cabeça de fora. Quanto ao fluxo de adrenalina, só o consegui comparar a bodyboard ou surf, para quem já esperimentou, quando as ondas estão maiorzitas e se vai a remar para o outside e vemos a onda a aparecer mesmo por cima de nós e tem que se fazer o duckdive, mas há aquele momento em que não se sabe se havemos de passar por baixo ou por cima da onda. Pronto, é mais ou menos isso mas multiplicado por 1000.
Os 40 segs assim parecem mais largos minutos. Passado isso, o instrutor dá indicação para passar à posição de abertura do páraquedas, e o páraquedas abre. De toda a experiência, esta para mim foi a parte menos agradável, julgo que devido ao facto de estar muito apertado...não sei se repararam pela foto, mas o equipamento passa por zonas algo sensíveis que quando apertadas em demasia...
Adiante, foram mais 5/6 minutos de páraquedas aberto. Nesta parte dá para gozar a paisagem toda em redor, e ver mais claramente a aproximação ao solo. Mas esta só se nota especialmente nos últimos 20 metros ou assim.
Depois, é deixar o instrutor aterrar. E pronto, são e salvo, mas muito, muito, muito surdo. Os ouvidos muito entupidos, ainda fiquei o resto do dia sem ouvir nada!
O resto do dia, já depois de mudar de boxers e de calças, deu para passear pela cidade de Évora onde já não ia há uns 10 anos.

Entretanto, recebi em Lx o vídeo de todo o salto, que vou tentar pôr na net assim que puder, mas provavelmente só quando voltar de Lx em Fevereiro. Entretanto, fiquem atentos, que assim que estiver online, eu aviso.

Ainda nessa noite, consegui a jantarada com os melhores dos amigos, e não se esqueçam que há outra brevemente, em local já designado (o mesmo da outra vez).

O resto do tempo foi aproveitado para me refazer do susto, claro, e descansar essencialmente. Nada de assinalar quanto ao fim de ano (Ice, ficas responsável por começar já a organizar o do próximo ano, seja em NY, seja onde quiseres), e depois foi mesmo o regresso à base no ínicio de Janeiro.
Ah, deixo só mais uma foto da Joanita, tão fofinha!!!



Entretanto, mais 2 semanitas e já estou por aí, para arranjar mais histórias para contar!!!