Saturday, July 09, 2005

Bem...

Rebentam bombas em Londres, eu estou cansado de Dublin e estou a pensar em ir para Paris. Sim, ouviram bem.
O que custa é sair do país pela primeira vez.
Mas porquê? (Atenção, daqui para a frente este post vai ter um conteúdo exploratório).

Sinceramente, não sei se quero voltar para Portugal. Primeiro porque viver longe de casa é uma experiência única. A sensação de independência e de liberdade é única. Andamos à vontade, a responsabilidade de tomar conta de nós é viciante e o conhecer pessoas de todo o mundo também mudou a minha vida.

Mas Dublin é pequenina. A República da Irlanda tem 4 milhões de pessoas dos quais 1 milhão estão em Dublin. Este país não consegue gerar empregos suficientes (estou cansado do meu, quero mudar e não consigo) e além disso a cidade e a cultura são demasiado diferentes da lusitana para que eu me sinta em casa. Não me entendam mal, os irlandeses são um povo espectacular. Afectuosos, bondosos e simpáticos. A única questão é que... não são latinos.

Ora bem, onde é que Paris cai aqui no meio? A minha ex-namorada é francesa. Ela quer sair de Dublin e ir para Paris trabalhar e eu estava a pensar em ir com ela. Quando fui com ela a Paris fiquei apaixonado pela cidade, fiquei com vontade de ir trabalhar. Mas...
Para começar, preciso de aumentar as minhas qualificações informáticas para vingar lá. Não me falta experiência, falta-me canudo. Felizmente em informática não preciso de terminar o curso. Para quem percebe disto, estou a falar das míticas Certificações.

Ok, qual é o meu plano? Das duas uma. Voltar para Lisboa, aceitar um emprego de um amigo meu, trabalhar para arranjar as certificações e quando a Céline tiver casa, abancar num pedaço de chão até arranjar emprego; ou; ficar em Dublin num emprego menor e seguir a mesma estratégia.

Porque é que eu quero ficar em Dublin num emprego menor quando tenho uma oferta de trabalho na minha área em Lisboa?
Porque se ficar em Lisboa tenho medo de perder a coragem de sair do país. Tenho medo de me habituar a viver com a minha mãe outra vez, e de acabar por voltar a cair na mesma monotonia em que vivia antes de vir para Dublin.

Porque é que não fico em Dublin num emprego menor?
Porque trabalhar na minha área sempre ajuda a construir cv, e experiência hands-on é vital.

Dilemas.

Meus amigos, não duvidem de uma coisa: eu adorovo-vos. Dizem que os amigos são a família que escolhemos e no vosso caso é verdade. Mas quando saí do país testei-me a níveis nunca vistos e adorei. E não consigo deixar de querer mais. A independência é viciante.

Agora para fechar, vou citar a Mary Melody:
"[...]farta de trabalhos de seca, farta de aturar gente doida...podia mas não digo, porque parece mal..."

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