Venho aqui trazer à baila um assunto que me parece por demais pertinente para o deixarmos passar em branco. Ele foi referido pela anterior postadora, e ao ler as suas linhas isso fez-me reflectir sobre o assunto. Ora, falo nem mais nem menos dos Ares Condicionados do tempo do Salazar.
Como seriam? Funcionariam? Isto leva-nos mesmo ao existencialismo da coisa: já existiriam? Se sim, para que serviriam (não me recordo que tempo verbal é este que estou a empregar, mas está-se a tornar deveras irritante. Gostam?), para onde iriam, donde viriam?
Imagino o Dr. António de Oliveira com as suas famigeradas botas, na sua não menos famigerada cadeira, no seu gabinete, com um desses aparelhos por perto, irritadissimo porque aquilo só dava frio, ou só dava quente, ou muito frio ou muito quente. Consta que foi mesmo por causa dessa irritação (não só temperamental como também ao nível nasal) que mandou abolir os tais aparelhos, daí que para o comum dos mortais fosse como se não existissem, simplesmente foram erradicados do país. Enviados para o degredo, pediram asilo político em repúblicas mais, digamos, democráticas, onde, então, progrediram (sim porque no tempo de Salazar SÓ existiam A/C em Portugal, depois de expulsos do país, reinventaram-se e proliferaram por esse mundo fora). Voltariam anos mais tarde ao nosso país, muito depois da ditadura, pela mão dessa multinacional da cultura, tão somente com o objectivo de patrocinar o glorioso. A coisa correu bem, e foi então que se deu o "baby boom" do A/C em Portugal, estes muito mais avançados que os do tempo do Dr. António. A coisa correu tão bem que a multinacional referida acima alienou o negócio dos A/C, gerando lucros tais, que se passou a dedicar exclusivamente à venda a retalho de produtos cultrais.
Daí que a expressão usada pela postadora anterior seja perfeitamente justificável, pelo facto de o seu A/C ser um daqueles que o Dr. António de Oliveira condenou ao degredo (este talvez, refugiado num qualquer sótão ou cave de uma refundida habitação lisboeta), e não um dos avançadíssimos comercializados pela FNAC.
Monday, January 31, 2005
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